
Nos dias 10, 11 e 12 de junho, o campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ) sedia a primeira edição da Flifio – Festa Literária Internacional da Fiocruz. Realizado em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, o evento é gratuito e assume um papel central na agenda do nosso Observatório: refletir sobre o papel da ciência, da cultura e da saúde na luta antirracista.
Compreendendo que o racismo estrutural produz iniquidades profundas no acesso à saúde, à educação e ao território, a Flifio se coloca como uma plataforma de intervenção social. O evento transforma o direito à literatura em uma ferramenta de promoção da saúde integral e emancipação dos povos.
Cultura é Saúde: O Protagonismo das Periferias
A programação da Flifio foi desenhada para e com os territórios periféricos onde a Fiocruz constrói suas redes de base e movimentos sociais, como Maré, Manguinhos, Jacaré e Complexo do Alemão. Longe de ser apenas um evento contemplativo, a feira aposta na redistribuição de poder econômico e simbólico através de suas ações-eixo:
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Distribuição de R$ 750 mil em Vales-Livro: Cerca de 3 mil estudantes de escolas públicas desses territórios receberão vales no valor de R$ 250 para aquisição de obras diretamente na feira, garantindo autonomia e acesso democrático à leitura.
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Pesquisa-Ação nos Territórios: Após a festa literária, o projeto segue vivo nas salas de aula das favelas parceiras, por meio de uma pesquisa-ação de incentivo à leitura voltada para professores e alunos.
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Intervenções Culturais e Debates: Mesas literárias, feira de livros, rodas de leitura e apresentações musicais e teatrais pautarão a soberania narrativa das populações marginalizadas.
“Entendemos que o acesso desigual à leitura e aos bens culturais impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida das populações, especialmente nos territórios periféricos. Com a Flifio, buscamos caminhos em que literatura, ciência e educação atuem juntas no combate ao racismo e na ampliação de direitos”, destaca Felipe Eugênio, coordenador da área de Cultura na Cooperação Social da Presidência da Fiocruz.
Um Ciclo Contínuo de Transformação Social
A feira internacional em Manguinhos é o ápice de um movimento que começou em dezembro de 2025 com o seminário Cidades Literárias. De lá para cá, a Agenda Flifio passou por Petrópolis (Semana Literária do Fórum de Itaboraí) e mobilizou os encontros estaduais da Periferia Brasileira de Letras em Minas Gerais e no Distrito Federal. Trata-se, portanto, de uma política de permanência que conecta arte, pesquisa e saúde coletiva.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a Flifio consolida uma tradição histórica da instituição: “Cultura, saúde e ciência andam de mãos dadas no campus. Esperamos que a Flifio se torne anual, contribuindo para disseminar os livros nas comunidades do nosso entorno e qualificar a cidadania”.
Participe e Fortaleça essa Rede!
O fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra se faz também na disputa de narrativas e na ocupação dos espaços de produção de saber.
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[Confira a Programação Completa] Acesse os horários das mesas, rodas de conversa e apresentações artísticas.
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[Como Chegar] Veja as rotas de transporte e esquemas de acolhimento no Campus Manguinhos.
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[Periferia Brasileira de Letras] Conheça o projeto que articula os coletivos literários das periferias do Brasil à Fiocruz.